É que hoje estou de porre com o romantismo
Foi só lembrar da profundidade dos teus olhos castanhos,
que me veio à tona essa ressaca desgraçada de te amar por um dia.
sou efêmera, curta e opaca. talvez durasse pouco
por conta da minha pressa com a felicidade,
ou talvez por um talvez que não sei declamar em versos soltos.
o sol me engolia feito tua língua,
as nuvens me exitava e o teu suor está cravado em meu peito até hoje.
tocaste canções de amor e eu entediada queria mais um trago da tua saliva,
mas em troca cantaste tuas músicas em meu ouvido surdo.
desculpa por ser ríspida e chorosa ao mesmo tempo,
mas o insensato que me satisfaz.
se por um dia não me entendeste,
é porque não me amaste da mesma maneira que ama tua vitrola.
sou feita por vozes rasgadas de punk rock e delírios do cotidiano.
mas logo hoje, acordei de porre com o romantismo e
coloquei as músicas que cantava pra te amar novamente,
escutar do teu timbre rouco e me perder em cada verso de amor.
talvez eu te ligue ou mando uma mensagem tosca,
com este bilhetinho amarrotado, talvez…
só um talvez, talvez você é meu talvez e eu preciso do talvez,
assim como preciso de você.
Janeiro de um ano qualquer.